ABAIXO OS JOGOS POR DOWNLOAD by Alexandre
2 de junho de 2012, 12:42
Filed under: Gamerview

Originalmente publicada no Gamerview em 22-07-2011.

Aproveitando que a PSN BR estreou, vamos reclamar um pouco mais. Já falei muitas vezes que a venda de jogos por download (e, por consequência, os DLCs) não é boa para o consumidor, já que estamos comprando coisas que não podemos pagar depois. No entanto, saiu esta semana uma matéria no Destructoid (que eu não guardei o link, desculpem) que me mostrou outro ângulo – e esse ângulo consegue ser ainda pior.

Vamos supor uma pessoa (tipo assim, eu) que tenha os três consoles e um PC. Além disso, essa pessoa é uma ávida consumidora de jogos por download e DLC, tanto nos consoles como no Steam. Suponhamos agora que essa pessoa tem a casa roubada e levam embora os seus três consoles. E, para completar a suposição, pensemos também que no mesmo dia a Apple compra a Sony, a Microsoft e a Valve para que elas façam jogos para o iPhone e cancela todos os negócios relacionados com videogame das companhias, incluindo nisso o desligamento imediato da Xbox Live, da PSN e do Steam.

Bem, caso aconteça isso essa pessoa acabou de perder TODO o dinheiro que gastou com jogos por download. Senão, analisemos caso a caso:

PSN: um jogo/DLC pode ser baixado em até cinco consoles de uma vez (o famoso compartilhamento de contas), mas não é possível fazer um backup do conteúdo e instalá-los em outro console. Logo, mesmo que se compre um novo console, não será possível recuperar esse conteúdo.

Xbox Live: um jogo/DLC pode ser baixado e instalado em múltiplos consoles, e um backup pode ser feito em um console e instalado em outro (usando um pen-drive como unidade de armazenamento). No entanto, se não é o console associado à conta compradora, esse conteúdo só poderá ser usado se o console estiver logado na Live com a conta compradora (é possível mudar o console associado à conta compradora no site da Microsoft, com certas limitações). Como no nosso exercício não há mais Live…

Wii: aqui não precisei nem imaginar que a Zynga tivesse comprado a Nintendo e obrigado a empresa japonesa a fazer “FarmPokemón” para Facebook, já que o online da Nintendo é tão porco, mas TÃO PORCO, que as compras na rede do Wii estão associadas diretamente ao console! Ou seja, se você perdeu o seu console, perdeu tudo que havia comprado nele. A única opção é ligar pra Nintendo e implorar para que eles migrem o seu conteúdo de um console para o outro – o que você só vai conseguir se os japoneses estiverem de muito bom humor…

Steam: dá pra baixar um conteúdo do Steam infinitas vezes, e é possível instalá-los em infinitos computadores. Só tem um problema: para ativar esse conteúdo, é necessário pelo menos uma vez logar no Steam. E no nosso exercício o Steam não existe mais, certo?

Claro, esse nosso exercício foi muito radical. Afinal de contas, as redes online dos consoles nunca são desativadas pelas companhias, só tem que ver a SegaNet… Hã, quero dizer, deixem-me começar de novo.

Claro, esse nosso exercício foi muito radical. Afinal de contas, mesmo depois de compradas, as companhias estão obrigadas a manter o serviço que elas venderam aos consumidores. Só tem que ver como a Microsoft continua com a Live ativa para o primeiro Xbox… Hã, quero dizer, como todos os jogos online da EA, da Sega e da Sony continuam com os servidores ativos até hoje… Hã, quero dizer… Ah, desisto.

O que quero dizer é: se compramos um jogo em formato físico, ele é nosso, podemos vendê-lo, emprestá-lo, o que for, e enquanto nós tenhamos acesso a um hardware capaz de rodar esse formato físico, poderemos jogá-lo. Já os conteúdos online que compramos por qualquer uma das redes, por incrível que pareça, não. Não podemos vendê-lo, emprestá-lo nem nada parecido. E, se a empresa decide terminar o serviço online, estamos numa sinuca de bico, porque se o hardware em que temos o conteúdo ativado falhar, não poderemos voltar a jogar o que compramos nunca mais.

Negócio redondo para as empresas, que, se quiserem, podem obrigar-nos a pagar pelo mesmo jogo quando houver alguma mudança de paradigma – como, por exemplo, uma mudança de plataforma (“pague um dólar por jogo e você poderá usar todos os jogos que comprou na PSN-PS3 no seu PS4” ou 5, ou 6…). Negócio redondo para as empresas. Não tanto para a gente.

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