A APP STORE NÃO É A SOLUÇÃO by Alexandre
2 de junho de 2012, 12:45
Filed under: Gamerview

Originalmente publicada no Gamerview em 16-01-2012.

Sabe quando você encontra uma coisa sem querer na internet e pensa “como deixei passar isso antes?”. Isso aconteceu comigo hoje; dando uma fuçada nas notícias encontrei esta página de novembro de 2011, com o título “Townshend [Pete Townshend, líder do grupo The Who] queria cortar as bolas do Steve Jobs”. Claro que esse título me chamou a atenção, né?

Essa coluna fala sobre uma palestra que Townshend deu para a BBC. Além desse desejo de felicidade e boa saúde para o falecido CEO da Apple (que, na verdade, foi feito em uma entrevista anterior), ele fala sobre como o sistema da Apple não ajuda a encontrar novos talentos.

De acordo com Townshend, uma gravadora fornece os seguintes serviços:

1 – Orientação editorial;
2 – Apoio financeiro;
3 – Tutela criativa;
4 – Fabricação (ou publicação);
5 – Publishing (administração de direitos editoriais);
6 – Conhecimento de mercado;
7 – Venda;
8 – Pagamento de royalties ao artista.

O iTunes apenas cobre os passos 7 e 8. Ou seja, um artista tem que se virar para administrar o resto.

Townshend estava falando apenas do mercado musical, mas tem como alguém com um mínimo de inteligência achar que isso aí não vale também para o mercado de jogos indie? O que moleques saídos da faculdade sabem sobre direitos editoriais e autorais? Ou sobre o que mais vende? E fazer jogos custa muito tempo e muito dinheiro; essas histórias de pessoas que fizeram jogos ficando na frente do laptop duas horas por noite por dois meses enquanto passavam o dia trabalhando no Starbucks e que ganharam porrilhões de dólares em duas horas são muito edificantes, mas é quase mais fácil ganhar na loteria do que conseguir fazer isso.

É muito legal falar que “a App Store, o Android Market e o Steam possibilitam aos artistas indie chegar ao usuário facilmente”, e não deixa de ser verdade até certo ponto. Mas o principal problema nisso tudo é: quem fala isso não fala só pra você, fala para todo o mundo. Com isso, milhões de pessoas vão ter a mesma idéia que você. Entre essas pessoas, você vai ter uma porrada de gente que vai fazer uns jogos de merda, o que vai significar que seu jogo – se você tiver o mínimo discernimento de não fazer também um jogo de merda – vai estar nadando num mar de merda. Depois, mesmo que você conseguir se destacar no meio do fedor generalizado, as pessoas vão comparar o seu trabalho com Angry Birds, Tetris, Plants vs. Zombies, Peggle…

Para a Apple, a Google e a Valve, é o melhor trabalho do mundo; botar uma infra-estrutura, deixar o pessoal brigar pelos caraminguás e depois cobrar comissão. Bem, notícias frescas: os Beatles só foram o maior e mais lucrativo grupo de todos os tempos porque a EMI colocou à disposição deles uma estrutura e um produtor, que os ajudou a eliminar as arestas e fazer os produtos redondinhos que todos conhecemos. Não acho que eles conseguissem chegar onde chegaram gravando em um estúdio alugado e botando o MP3 de “Love Me Do” no iTunes, entre Justin Bieber e os Black Keys.

Aí a idéia de Townshend faz um sentido tremendo. Se essas empresas enchem o rabo de grana com esse pessoal, por que não ajudá-los a florescer? Por que não virar gravadoras – ou, no caso de jogos, publishers? Colocar gente na internet para descobrir novos talentos, botar uma estrutura por trás, pagar os gastos e fazer publicidade desse pessoal. Quem garante que o novo Miyamoto não está agora mesmo em Itaquera fazendo um joguinho vagabundo em Flash?

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